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Pesquisadores do Inpa participam de estudo que ajuda no planejamento energético na Amazônia

  • Última atualização em Sexta, 16 de Junho de 2017, 16h28
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O Índice de Vulnerabilidade Ambiental a Barragens (na sigla em inglês Devi) serve para quantificar os potenciais impactos de  barragens planejadas, construídas e em construção (que produzem mais de 1 MW) na bacia amazônica

Por Luciete Pedrosa - Ascom Inpa

Foto: Acervo Philip Fearnside  

Estudo de um grupo internacional de pesquisadores, entre eles cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) mostra os efeitos ambientais negativos, como o empobrecimento dos rios amazônicos pelas barragens existentes e das centenas de outras que estão planejadas. O resultado do artigo foi publicado na última quinta-feira (15) na revista Nature.

De acordo com uma das autoras do artigo, a pesquisadora Camila Ribas, o estudo apresenta um Índice de Vulnerabilidade Ambiental das diferentes bacias amazônicas às barragens planejadas, construídas e em construção, considerando as características dos rios e das suas bacias de drenagem.

O Índice de Vulnerabilidade Ambiental a Barragens (na sigla em inglês Devi) serve para quantificar os impactos atuais de 140 barragens construídas e em construção e os potenciais impactos de 428 barragens construídas e planejadas (que produzem mais de 1 MW) na bacia amazônica. Oestudo mostra que a escala de degradação ambiental prevista indica a necessidade de uma ação coletiva entre nações e estados para evitar impactos cumulativos e de longo alcance.

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Ribas explica que o Índice também mostra que quando são construídas várias barragens em sequência, na mesma bacia, terão um efeito cumulativo. “Se todas as barragens planejadas fossem construídas, haveria uma perda muito grande de sedimentos carregados pelos rios, com perdas de nutrientes em um efeito em cascata”, diz a pesquisadora. “O impacto não afeta apenas o lugar onde a barragem foi construída, mas se prolonga por toda a bacia”, acrescenta.

Além de Ribas, também são autores o pesquisador Jansen Zuanon, o pesquisador pós-doc do Inpa Fernando d'Horta, além de Florian Whittman, pesquisador que esteve por muitos anos trabalhando no Instituto com relevantes contribuições no grupo de pesquisa que estuda a Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Grupo Maua).

Os pesquisadores argumentam que, hoje em dia, os Estudos de Impactos Ambientais (EIA) só levam em consideração a escala local, próximo onde a usina será construída e não fazem uma análise mais regional da Amazônia como um todo. “O estudo é para chamar a atenção dos técnicos e pesquisadores, que estão fazendo o planejamento energético, e que esse planejamento possa levar em consideração a bacia como um todo porque ela é interligada”, diz Ribas.

Ela dá como exemplo que barragens no rio Madeira têm potencial para afetar até a foz do rio Amazonas, sendo que esse planejamento deve ter uma visão mais geral e o Índice de Vulnerabilidade pode ajudar nessa questão. “Uma vez que se decide fazer um EIA em determinado lugar passa-se a ter variáveis locais e não no contexto regional”.     

Pelo estudo, o  Índice de Vulnerabilidade Ambiental a Barragens está baseado em características físicas como a quantidade de água que há em cada sub-bacia, a área que cada uma drena, o quanto da área está em Unidade de Conservação, a quantidade de sedimentos em suspensão que o rio carrega. “São características físico-químicas e geográficas das bacias e todas essas características estão relacionadas ao quanto estas bacias são vulneráveis à construção de barragens”, explica.

A pesquisadora ressalta que os técnicos envolvidos no planejamento do aproveitamento hidroelétrico da Amazônia estão capacitados para aplicar o Índice, assim como para fazer outros arranjos de distribuição dessas barragens e calcular o melhor arranjo para minimizar os impactos.

Mais de uma centena de barragens hidroelétricas já foram construídas na bacia amazônica e numerosas propostas para novas construções estão em estudo. 

O sistema do rio Amazonas e sua bacia hidrográfica de 6.100.000 km2 compreendem a rede de drenagem mais complexa e extensa da Terra, excepcional tanto na biodiversidade como na produtividade primária e secundária. A bacia hidrográfica descarrega aproximadamente 16% a 18% do fluxo de água doce do planeta em seu estuário. Quatro dos dez maiores rios do mundo estão na bacia amazônica (Amazonas, Negro , Madeira e Japurá), e 20 dos 34 maiores rios tropicais são afluentes amazônicos.

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