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Pesquisador do Inpa e ex-diretor de Pesquisas do Jardim Botânico é premiado pelo CREA-RJ

  • Última atualização em Quarta, 30 de Agosto de 2017, 13h47
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 prêmio Crea-RJ de Meio Ambiente 2017 é concedido anualmente com o objetivo de reconhecer personalidades ou instituições que se distinguem por suas ações ou projetos na luta pela conservação do meio ambiente.

 

Da Redação – Ascom Inpa

Foto: Luciete Pedrosa

 

Um estudo para conservação de um raro remanescente florestal da Mata Atlântica, no Campo de Camboatá, Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ), além de palestras e entrevistas contribuíram de forma decisiva para reverter a conversão da área em um autódromo. As ações renderam ao pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), o ecólogo e engenheiro florestal Rogério Gribel, a concessão do prêmio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) Meio Ambiente 2017/Categoria Profissional. No período de 2011 até 2015, o pesquisador atuou como diretor de Pesquisas Científicas do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

A cerimônia de entrega do prêmio acontecerá no dia 21 de setembro, na sede do Crea-RJ, no centro do Rio de Janeiro. Gribel receberá o prêmio juntamente com o pesquisador do Jardim Botânico, Haroldo Lima. A Comissão do Meio Ambiente recebeu 13 indicações, de instituições e profissionais que desenvolvem ações ambientais importantes no Estado do Rio de Janeiro.

Sinto-me muito feliz e orgulhoso pela premiação, mas de nada adiantará, no entanto, todo este reconhecimento se não completarmos este processo com a conservação, em caráter perene, daquela relíquia de Mata Atlântica encravada na tão devastada Zona Norte do Rio de Janeiro”, diz Gribel. “A luta por sua conservação e manejo adequado deve continuar e nos unir”, destaca.

 

Floresta de Camboatá Acervo Rogerio Gribel 

 

O prêmio é fruto das avaliações que Gribel e o pesquisador Haroldo Lima realizaram de um fragmento florestal do que restou da Mata Atlântica, numa área devastada pela ocupação urbana, na zona Norte do município do Rio de Janeiro. Trata-se de uma área de cerca de 200 hectares denominada Campo de Instrução de Camboatá,de propriedade do Exército Brasileiro há mais de cem anos. Cerca de 100 hectares em sua área central possui uma floresta antiga e bem preservada. No local, no final da década de 50, quando o terreno era usado como depósito de munições, minas terrestres e granadas remanescentes da Segunda Guerra Mundial, houve uma série de explosões que espalhou artefatos por toda a floresta.

Para o pesquisador, o episódio ajudou a conservar a área porque os próprios militares tinham medo de adentrar no terreno, com receio de novas explosões dos artefatos que ficaram enterrados. “Isso permitiu que a floresta sofresse pouca perturbação por quase seis décadas”, conta Gribel. Mais recentemente, com a desativação do autódromo de Jacarepaguá para instalações olímpicas, o terreno foi escolhido para ser construído o novo Autódromo do Rio de Janeiro. Nesse momento, alertados por técnicos da Prefeitura e pela Procuradoria do Estado, os pesquisadores Gribel e Lima foram acionados para fazer uma avaliação da importância desse fragmento.

Raridade

Com base nas visitas a campo e com dados anteriores de outros botânicos que estudaram aquele fragmento, os pesquisadores constataram que aquela área de Camboatá é um dos últimos remanescentes no município de um tipo de floresta que ocorria nas áreas de baixo relevo, que foram dizimadas pela expansão urbana. Trata-se de uma floresta peculiar com espécies de Mata Atlântica raras e em extinção, como o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), com fauna rica, onde se pode avistar ainda vários tipos de pássaros, mamíferos e répteis de grande e médio porte, a exemplo da capivara, cachorro-do-mato-, tamanduás, macaco-prego, saguis, jacus, jacutingas, papagaios e jacarés.

 

Rogério GribelFoto Luciete Pedrosa INPA

 

“Dentro da densamente povoada área metropolitana do Rio de Janeiro sobrou quase que milagrosamente um fragmento de Mata Atlântica de 100 hectares, na beira da movimentada, poluída e degradada Avenida Brasil. Além de árvores, epífitas e plantas de sub-bosque hoje raras e ameaçadas, o fragmento tem uma localização estratégica no contexto da paisagem municipal, entre os remanescentes florestais dos Maciços da Tijuca, Pedra Branca e Mendanha”, conta Gribel.

Segundo Gribel, desta forma, serve de “ponto de parada e abastecimento” (step stone) para animais alados, como morcegos, aves e abelhas grandes, que podem assim se deslocar entre aqueles maciços, promovendo o fluxo de pólen e sementes entre eles e evitando o isolamento genético das populações de árvores nestas florestas.

 Com o estudo, palestras e entrevistas na mídia, os pesquisadores chamaram a atenção para a importância de conservar a área. Conforme Rogério Gribel, a conversão da área em autódromo, pelo menos temporariamente, foi revertida muito em função das ações deles como cientistas e cidadãos, dando subsídios para que houvesse argumentação com base científica sólida junto à Justiça. “A própria população do entorno estava preocupada, não somente devido à perda da floresta, mas também pela poluição sonora gerada pelo autódromo”, diz.     

Parque de uso público

 

Vista ortogonal da área da Floresta de Camboatá com Avenida Brasil ao sul Acervo Rogerio Gribel

 

De acordo com Gribel, o anel externo desse fragmento, já desmatado, tem desenho perfeito para se instalar um belo parque de uso público, preservando-se a área central de 100 hectares deste fragmento da Mata Atlântica. Como alternativa, os pesquisadores sugeriram que nos 100 hectares do entorno fossem instalados equipamentos de lazer, desportos e cultura, como pistas de caminhada, pistas de skate, piscinas, ciclovias, quadras esportivas e anfiteatros, que poderiam ser um espaço importante para as comunidades que vivem nos bairros da Zona Norte, ao mesmo tempo em que se conservaria a mancha central de 100 hectares da floresta remanescente.

“Desta forma se conciliaria a conservação do raro fragmento florestal com o incremento da qualidade de vida de milhões de pessoas que vivem no entorno, área carente de estruturas de lazer e esporte. Para o autódromo sugerimos estudos para identificar alternativas locacionais, de preferência em área já anteriormente degradada”, revela o pesquisador do Inpa.

O prêmio Crea-RJ de Meio Ambiente é concedido anualmente com o objetivo de reconhecer personalidades ou instituições que se distinguem por suas ações ou projetos na luta pela preservação do meio ambiente, além de servirem de exemplo para nortear ações para outros indivíduos ou organizações.

 

destaquedrrogeriogribell 

 

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