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Jovem pesquisadora do Inpa é diplomada membro da Academia Brasileira de Ciências

  • Última atualização em Quinta, 31 de Agosto de 2017, 20h08
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Fernanda Werneck é mais jovem pesquisadora do Inpa e recentemente recebeu o prêmio da L'Oreal “Para Mulheres na Ciência”. Ela é herpetóloga e trabalha com a diversidade de anfíbios e répteis. Entre suas linhas de pesquisa destaca-se o estudo dos efeitos das mudanças climáticas sobre esses organismos

Texto e foto Luciete Pedrosa - Ascom Inpa

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A Academia Brasileira de Ciências (ABC) realizou nesta quinta-feira (30), no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em Manaus (AM), a cerimônia de diplomação e posse de cinco jovens pesquisadores da região Norte novos membros afiliados. Entre os diplomados, a pesquisadora do Inpa, a herpetóloga Fernanda Werneck. Os novos membros permanecerão afiliados à ABC no período de 2017-2021.

“Sinto-me muito feliz e honrada porque é um reconhecimento muito grande para a nossa carreira”, diz Werneck. Para ela, nesse momento, pelo qual a ciência está passando, ela vê como uma oportunidade poder estar advogando para as pessoas a importância da valorização da ciência para o país, que passa um momento complicado, principalmente, na área de financiamento para as pesquisas.

Fernanda Werneck é mais jovem pesquisadora do Inpa e recentemente recebeu o prêmio da L'Oreal “Para Mulheres na Ciência”. Ela é herpetóloga e trabalha com a diversidade de anfíbios e répteis. Entre suas linhas de pesquisa destaca-se o estudo dos efeitos das mudanças climáticas sobre esses organismos, que são organismos ectotérmicos, ou seja, dependem das temperaturas ambientais para desenvolverem suas funções, portanto, são esperados que sejam alguns elementos da fauna os primeiros impactados pelas mudanças climáticas.

Pesquisa

Os estudos de Werneck indicam que em resposta a estes incrementos de temperatura muitas espécies podem vir a experimentar mudanças nos seus padrões de distribuição e seguir esses novos climas favoráveis, já que eles não ficam estáticos no espaço, porém, há um risco maior daquelas espécies, que não vão conseguir seguir os climas favoráveis ou passar por processos adaptativos. Segundo a pesquisadora,  essas espécies podem vir a ter colapsos populacionais e serem extintas.

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“Nossa pesquisa visa tentar quantificar esses riscos, e quais espécies ou quais regiões estão mais vulneráveis a apresentar altos riscos de extinção das populações de lagartos”, explica a pesquisadora destacando que o seu grupo de pesquisa tem investigado, por exemplo, quais regiões periféricas na Amazônia representam essa pressão maior de temperaturas ambientais mais altas e quais os efeitos nessas regiões na transição entre a Amazônia e o Cerrado.     

Para a pesquisadora, este reconhecimento da ABC e ser um referencial para a futura geração de cientistas é um estímulo para reforçar a luta pela valorização da ciência nos seus múltiplos níveis. “E, num momento em que sabemos que a ciência deveria ser mais valorizada, que a saída para os grandes problemas do Brasil e da biodiversidade certamente passam pela ciência”, destaca.   

Além da pesquisadora do Inpa, Fenanda Werneck, também foram diplomados pela ABC os pesquisadores José Júlio de Toledo, da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Wuelton Marcelo Monteiro, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), José Nazareno Vieira Gomes , da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e Joyce Kelly do Rosário da Silva, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Mesa de abertura

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Participaram da mesa de abertura o presidente da ABC, Luiz Davidovich, o vice-presidente da Regional Norte, Roberto Dall'Agnol, o diretor do Inpa, Luiz Renato de França, e o pesquisador Niro Hugchi, membro titular da ABC. Também prestigiaram a diplomação os membros titulares, os pesquisadores do Inpa, Adalberto Luis Val, além do pesquisador do Instituto Evandro Chagas (Belém-PA), Pedro Vasconcelos.         

Na opinião do diretor do Inpa, é um grande honra para esses jovens pesquisadores ser um membro afiliado da ABC. “Para o Inpa, em particular, é altamente meritório ter a pesquisadora Fernanda Werneck como membro jovem afiliada da ABC. Ela é uma pesquisadora ativa e ganhou recentemente o prêmio L'Oreal”, diz França, ao destacar que se um país quer expressar todo o seu potencial uma das vias é através da Ciência, Tecnologia e Inovação. “E a ABC faz muito bem esse papel, juntamente com a SBPC. Este é um momento especial com a renovação desses novos membros na Academia”.       

Para Dall'Agnol, a diplomação dos novos membros afiliados da ABC é, em primeiro lugar, uma afirmação da qualidade da pesquisa que se faz na região, o que demonstra a competência e capacidade para gerar pesquisa de qualidade. “Essa pesquisa é reconhecida por uma Casa como a Academia Brasileira de Ciência, que tem prestígio internacional”, disse Dall'Agnol. “Esta cerimônia é também o espírito da Academia de buscar uma renovação permanente e de dar espaço para jovens cientistas mostrar seus trabalhos e conseguir espaço dentro do cenário nacional e  internacional”.

Renovação

O presidente da ABC, o físico Luiz Davidovich, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressaltou a entrada desses novos jovens afiliados na ABC. “É um instrumento de renovação muito útil porque traz ideias novas de jovens pesquisadores para o convívio da Academia”.

Segundo Davidovich, esta categoria de afiliados da ABC foi instituída pelo presidente antecessor, o matemático Jacob Palis. Esta nova categoria é formada por jovens pesquisadores de até 40 anos de idade que entram na ABC e ficam durante cinco anos, podendo após esse período retornar como membros titulares, se forem eleitos. O objetivo é reconhecer talentos jovens da ciência e, assim, incentivá-los nas carreiras científicas.

Na opinião do presidente da ABC, esta diplomação de cientistas da região Norte tem um significado muito especial pelo que a Amazônia representa para o país e para o mundo, porque é uma região que tem uma riqueza incomensurável. “Temos aqui 20% da diversidade mundial da qual conhecemos apenas cerca 5%. É um imenso tesouro a explorar”, diz

Para ele, a biodiversidade amazônica, se tratada de forma sustentável, com base em uma nova biotecnologia para produção de fármacos e medicamentos, pode trazer para população brasileira muitos benefícios e para o país uma riqueza muito grande, porque o Brasil pode ter um protagonismo internacional  nessa área.

“Esses jovens vindos dessa região trazem para a Academia este tipo de experiência. Uma experiência extremamente relevante para o Brasil e para a humanidade”, diz Davidovich ao indagar: como é que se explora uma região desse  tipo de  forma sustentável sem destruir a floresta? “Eu acho que a biodiversidade é a solução para a Amazônia, ou seja, a exploração da biodiversidade com a pesquisa, aliada com a construção de um complexo industrial baseado na biodiversidade nacional”, responde.

SitePresidenteDadidovichFotoLucieteInpa

Na palestra “A Academia Brasileira de Ciências e o Desenvolvimento Científico e Tecnológico Nacional”,  apresentada pela parte da tarde, o presidente da ABC contou um pouco da história da ABC, que este ano celebrou 101 anos. “Ela foi criada em 1916, portanto, acompanhou a história do país e do mundo e sobreviveu a vários governos, sempre trazendo contribuições para a sociedade brasileira, defendendo ciência de qualidade, defendendo a inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico do país”.

Davidovich também falou sobre um projeto desenvolvido quando tomou posse, em maio de 2016, que é o Projeto de Ciência para o Brasil e que envolve 180 cientistas divididos em vários grupos de trabalho. Ele conclamou os novos afiliados a fazerem parte desse projeto.

Segundo ele, nesse projeto, os estudiosos estão fazendo um diagnóstico e propostas de políticas públicas para várias áreas da ciência, que vai desde os ecossistemas à nanotecnologia, passando por cérebro humano, saúde pública e ciências básicas. “Estamos com um conjunto de documentos e recomendações para essas várias áreas e vamos apresentar para os futuros presidenciáveis em 2018”, disse. 

Falou dos grandes desafios para o futuro da ciência brasileira e também sobre os obstáculos recentes ao desenvolvimento da ciência e tecnologia  do Brasil, dos cortes orçamentários que estão impedindo que o Brasil tenha um protagonismo internacional e que estão atrasando o país em relação a outros países. “Na crise, os  países desenvolvidos investem, ao contrário do Brasil que corta os investimentos”, exemplifica. 

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