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Estudo desenvolvido no Inpa tenta entender o efeito da temperatura em plantas amazônicas

  • Última atualização em Sexta, 22 de Dezembro de 2017, 09h41
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A pesquisa mostrou que no sub-bosque da floresta os estômatos têm grande sensibilidade à variação da temperatura, abrindo conforme aumenta a temperatura da folha

 

Da Redação Ascom Inpa

 

Na tentativa de entender melhor o efeito da temperatura sobre o funcionamento dosestômatosem plantas da Amazônia, parte de um estudo desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) foi publicado recentemente numa revista especializada em fisiologia vegetal, a Theorical and Experimental Plant Physiology da Springer Link. 

 

Os estômatos são orifícios microscópicos localizados na superfície da folha que abrem para permitir a entrada de dióxido de carbono e na grande maioria das plantas abrem quando a folha recebe luz e fecham no escuro. No sub-bosque da floresta, ao final da tarde e à noite os estômatos não abrem, mesmo quando a folha recebe luz artificialmente.

 

A pesquisa mostrou que no sub-bosque da floresta os estômatos têm grande sensibilidade à variação da temperatura, abrindo conforme a aumenta a temperatura da folha.

 

Desenvolvido pela ex-aluna de doutorado em Botânica no Inpa, Keila Mendes, o estudo “Abertura estomática  em resposta ao aumento simultâneo do déficit de pressão de vapor e da temperatura durante um período de 24h sob luz constante em uma floresta tropical da Amazônia Central” foi parte da tese de doutorado de Mendes, orientada pelo pesquisador do Inpa Ricardo Marenco.

 

As coletas dos dados foram realizadas durante o dia e à noite, no sub-bosque da floresta amazônica, numa floresta tropical úmida de terra firme, da Estação Experimental de Silvicultura Tropical do Inpa (ZF-2), localizada na BR-174, a aproximadamente 60 km ao norte de Manaus, em arvoretas de 1 a 2 metros de altura da planta da espécie Guarea carinata Ducke, pertencente à família das meliáceas.

 

Árvores do gênero Guarea podem atingir grande porte (de 20 a 45 metros de altura e tronco de até 1 metro de diâmetro). Guarea carinata em alguns lugares do Brasil recebe o nome popular de ataúba, jitó, cedro branco, entre outros.

 

Na opinião do pesquisador Marenco, o resultado da pesquisa representa uma contribuição importante sobre o entendimento dos fatores que controlam o funcionamento dos estômatos. “Também pode servir de subsídio em trabalhos de modelagem que visem prognosticar os efeitos das mudanças climáticas”, diz o pesquisador, que é vinculado ao Laboratório de Ecofisiologia de Árvores do Inpa.

 

No Laboratório, são estudados os fatores ambientais relacionados à fisiologia de árvores. Nesta temática o funcionamento de estômatos recebe atenção especial, haja vista que a fotossíntese depende do grau de abertura dos estômatos.

 

O funcionamento estomático é modulado por vários fatores e na maioria das circunstâncias a abertura estomática diminui com o aumento da diferença de pressão de vapore da temperatura. “Mas o funcionamento estomático sob as condições úmidas do bosque subterrâneo da floresta tropical é pouco investigado”, diz Mendes.

 

O objetivo do estudo foi determinar como a condutância estomática das arvoretas responde ao ambiente do sub-bosque. “Mensuramos a troca de gases em quatro plantas de Guarea carinata”, diz. “Em cada planta, a condutância estomática, a diferença de pressão de vapor e a temperatura da folha foram medidas continuamente em intervalos de 3 minutos durante 24 horas”, acrescenta.

Mendes destaca que se a temperatura global continua a aumentar conforme previsto pelos  modelos, o aumento direto da condutância estomática das arvoretas, associado a um aumento de temperatura, pode ser anulado se o aquecimento global afetar negativamene a disponibilidade de água nesta parte da Amazônia.

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