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Primeira Roda de Conversa do Inpa lembra as lutas das mulheres por mudanças

  • Última atualização em Quinta, 08 de Março de 2018, 17h53
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Há 100 anos mulheres sufragistas lutaram e deram a vida em busca de mudanças e foram mortas por isso

 

Texto e foto – Karen Canto (Ascom Inpa)

 

Há cem anos mulheres foram queimadas vivas porque estavam exigindo um pouquinho a mais. Elas queriam trabalhar 12h horas por dia e queriam que a maneira de conseguir um emprego não fosse através de entregarem os corpos delas e das filhas. E foram mortas.

 

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A lembrança foi feita pela pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Elisa Wandelli, militante de movimentos sociais e ambientalista,  durante a primeira Roda de Conversa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). Na ocasião, foi debatida a condição da mulher no mundo contemporâneo.

 

Assédio, violência contra mulher, feminicídio, meio acadêmico, políticas públicas e outros temas conduziram a Roda de Conversa, na tarde da última quarta-feira (7).

 

O evento contou com a participação de pesquisadoras, alunas de pós-graduação, além da educadora social Katia Regina Barreto Lima, do Instituto Consulado da Mulher - ação social com o objetivo de assessorar empreendimentos populares protagonizados por mulheres com aporte de conhecimentos e recursos que viabilizem geração de renda e qualidade de vida.

 

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Para a pesquisadora Wandelli, é interessante observar que o gênero, que é a construção social, não vem sozinho.  “Vem acompanhado de outras categorias, como a classe social e a etnia, sempre muito potencializado”, diz.

 

Wandelli ressalta que há 100 anos mulheres sufragistas lutaram e deram a vida em busca de mudanças. Segundo ela, todas as grandes conquistas que temos hoje vieram, inicialmente, de mulheres fortes e protagonistas que nem queriam ser iguais aos homens, buscavam só um pouco a mais.

 

“Elas queriam trabalhar 12h horas por dia ao invés de 16h. Elas queriam ter um lugar seguro onde colocar os filhos, que trabalhavam no meio dos vapores. Elas queriam que a maneira de conseguir um emprego não fosse através de elas entregarem os corpos delas e das filhas, porque essa era seleção. E foram mortas”, analisa.

 

Para Wandelli, apesar de hoje as mulheres já votarem, elas ainda não são votadas. A pesquisadora ressalta que apenas 10% dos parlamentares, tanto no Congresso Nacional, quanto nos estados, são mulheres. E que a quantidade de mulheres em cargos de direção partidária também é baixa, ficando, nacionalmente, na casa dos 20%.

 

Pela lei é obrigado a ter uma porcentagem de candidatas e investir financeiramente em suas candidaturas. Mas a palestrante ressalta que o cenário é outro. “O papel delas ali não é conseguir voto, é fazer legenda para os partidos políticos”, diz ao acrescentar que esse quadro só irá mudar quando tivermos plataformas de políticas feministas.

 

Outro ponto analisado foi a violência crescente sofrida pelas mulheres. A cada ano aumenta os casos onde as mulheres sofrem algum tipo de violência. “A cada 15 segundos uma mulher é violentada; a cada 15 minutos uma mulher é estuprada; a cada dia é morta, por feminicídio, 24 mulheres; 7,5 milhões de crianças, meninas, no mundo, são obrigadas a casar”, lamenta.

 

Wandelli faz uma comparação onde conclui que a violência contra as mulheres continua sendo algo gritante. “Os homens morrem, a taxa de mortalidade deles é maior, mas os homens matam os próprios homens, morrem na rua, em acidente de carro, morrem em brigas. Nós mulheres morremos dentro de casa”, afirma.

 

Para a pesquisadora Rita Mesquita, que responde pela Coordenação de Extensão (Coext/Inpa), independentemente de você ser ou não o alvo do assédio, da agressão verbal ou física, é você não aceitar. “Uma manifestação de não conformidade. Eu tenho que lidar com isso na minha atual função com meus atuais comandados. Não é assédio sexual, cantada, nada disso. É assimetria de poder”, diz. “O cara olha para tua cara e só falta dizer “vem me obrigar a fazer isso”, acrescenta.

 

Ainda na opinião de Mesquita, o controle social está na própria sociedade perceber que isso é fundamental. “Tanto é que está em todas as políticas: saúde, educação, assistência social e  ambientais. São vários tipos de conselhos para monitorar, acompanhar, fiscalizar, punir”, destaca.

 

Para a coordenadora de Tecnologia Social do Inpa, Denise Gutierrez, sobre a questão das estatísticas, que são estarrecedoras e subestimadas, tem-se que perceber que são relativamente novas quando colocamos a mulher na história do mundo ocidental.  “A mulher sempre apanhou, sempre foi torturadasilenciosamente. Antes não era notificado, sem nenhuma possibilidade de aparecer. Hoje, felizmente, já temos outros canais para dar visibilidade a isso”, ressalta.

 

Consulado da Mulher

 

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Para a educadora social Katia Regina Barreto Lima, a posição do Consulado para melhorar a condição da mulher é justamente trabalhar em cima disso. “Nós trabalhamos com mulheres empreendedoras que trabalham com alimentação. Damos aporte e suporte para que elas possam passar do estado atual ao estado futuro”, diz.

 

Oficinas, acompanhamento, planos de ação e assessoria são passados para as mulheres que almejam a mudança. Toda assessoria é prestada de forma gratuita durante o período de dois anos. “Trabalhamos juntos delas, realizamos as visitas, oficinas, a melhor forma de executar e planejar”, explica Lima.

 

A educadora garante que a realização pessoal e profissional das mulheres que assessoram é a maior recompensa. “Quando a mulher, normalmente de origem mais simples, começa a se sentir mais empoderada, é quando ela começa a ter voz dentro de casa, de decidir, se sentir útil. Isso é sensacional”, comemora.

 

Processo seletivo

 

Para ser assessorada pelo Consulado da Mulher, existem dois processos seletivos, um nacional e um local, neste as mulheres vão até o Consulado ou acessam o site e se estiverem dentro do perfil - serem mulheres que trabalham no ramo de alimentação e que queiram ser assessoradas – estas serão pré-selecionadas.

 

Para quem interessar, a partir desta quinta-feira (8), as inscrições para participar do edital Remoto – para aquelas mulheres que moram fora de Manaus, São Paulo e Joinville (SC)-estarão abertas.

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