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Sustentabilidade e desenvolvimento é tema de debate do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos

  • Última atualização em Quinta, 02 de Agosto de 2018, 09h42
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Para o pesquisador do Inpa Luiz Antonio Oliveira, é urgente a necessidade de o Brasil ter condições de usar a biodiversidade amazônica para fins econômicos e sociais

 

Por Geraldo Mendes – Geea

Fotos: Cimone Barros  Ascom Inpa

 

Sustentabilidade e desenvolvimento. Este foi o tema de debates do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (Geea) durante a 54ª reunião, realizada na última terça-feira (29), no auditório da diretoria do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). A apresentação do tema esteve a cargo do pesquisador do Inpa Luiz Antonio de Oliveira, doutor em ciências do solo e com larga experiência em questões amazônicas, principalmente em agricultura e biotecnologia.

 

A primeira parte da palestra focou no crescimento populacional, que teve uma alta abrupta desde 1800 e que vem mantendo o ritmo ao longo dos 200 anos, já tendo atingido 7 bilhões de pessoas em 31/10/2011. Esses dados foram correlacionados com a produção de alimentos pela agricultura, que segue um forte ritmo de crescimento, mas que ainda não foi suficiente para aplacar a fome de milhões de pessoas em todas as partes do mundo. Ou seja, a causa do problema não está na falta de alimento, mas na sua má distribuição e na enorme concentração de renda.

 

Segundo dados apresentados, o aumento da produção de alimentos pela agricultura e pecuária vem se expandindo fortemente desde meados da década de 1750 no leste europeu e mais tarde em todos os continentes, com destaque nas Américas e sul da África. Além disso, foi demonstrado que mais de 65% dos solos cultivados com culturas anuais e semi-anuais do planeta foram ocupados originalmente pelas florestas. A derrubada da floresta acarretou inúmeros problemas, especialmente a deterioração das condições ambientais, a degradação dos solos e incremento da erosão e poluição.

 

 

GEEAFotoCimoneBarrosINPA

 

Também foi enfatizado que o aumento da produção agrícola está fortemente concentrado no monocultivo, em que poucas espécies são super exploradas e com baixo custo, já que os pacotes tecnológicos estão definidos há muito tempo e a exploração é feita por indústrias com forte capital e muito subsídio governamental. Via de regra, são também essas mesmas empresas que detém a tecnologia e o monopólio sobre as sementes e os defensivos agrícolas.

Segundo dados do Fundo Mundial para a Agricultura, apresentados pelo palestrante, das 700 espécies utilizadas na agricultura mundial, apenas 120 são importantes em escala de mercado nacional; somente 30 delas são responsáveis por cerca de 90% do consumo mundial de calorias. Em termos de área explorada, os cultivares mais importantes no mundo continuam sendo, há muito tempo, trigo, arroz, milho e soja, sendo que o conjunto deles representa mais da metade da produção mundial de alimentos.

 

Em termos do Brasil, esses cultivares são também os mais produzidos, no entanto se observa um forte predomínio da soja, seguida pelo milho, enquanto no restante do mundo, predomina o trigo. É importante observar que a soja é mais utilizada para alimentação de porcos, cavalos e gado, enquanto o trigo é tipicamente um produto de consumo humano.  

 

Fazendo um balanço do monocultivo no mundo, Luiz Antonio salienta que ele traz a vantagem de ser muito competitivo, ser capaz de produzir muito alimento a baixos custos financeiros e impor uma autêntica revolução verde no mundo; por outro lado, ele tem a desvantagem de acarretar um alto custo à sociedade e ao meio ambiente, por causa dos danos ocasionados pelos agrotóxicos e mais recentemente os efeitos colaterais acarretados pelos transgênicos ou organismos geneticamente modificados.

 

GEEA Foto Cimone Barros INPA 62

 

 

Para o palestrante esse último aspecto é grave, porque seus efeitos danosos geralmente só são percebidos décadas depois, quando muitas pessoas já morreram ou foram intoxicadas sem que se soubesse a causa. Apesar desta ameaça mais de 90% da soja e do milho produzidos no Brasil são transgênicos. De acordo com o palestrante, doença celíaca, intolerância à lactose e várias outras demonstram estar associadas aos riscos acima indicados.

 

A segunda parte da palestra foi dedicada a algumas medidas que deveriam ser tomadas para o enfrentamento dos problemas vinculados ao sistema de produção, armazenamento, transporte, comercialização e consumo de alimentos no Brasil e no mundo, sempre levando em conta a necessidade de equilíbrio entre aumento da população, aumento de alimentos e qualidade ambiental e da vida humana.

 

Muitas ideias foram apresentadas com vistas ao melhor aproveitamento dos recursos naturais, à correção de normas e práticas inadequadas e busca de um modelo de desenvolvimento verdadeiramente adequado à região amazônica. Quanto a isso, o palestrante enfatiza a necessidade de não somente utilizar as áreas já desmatadas para produção de alimentos, mas também para o reflorestamento e recuperação das nascentes e dos ecossistemas.

 

Para Luiz Antonio, é urgente a necessidade de o Brasil ter condições de usar a biodiversidade amazônica para fins econômicos e sociais. Quanto a isso existe um enorme potencial nas fruteiras, madeiras, plantas medicinais e recursos florestais não madeireiros, muitas dos quais ainda pouco estudadas. No entanto, alguns deles já estão dominados por países estrangeiros, através do processo de patentes. É preciso que o Brasil e suas instituições adotem medidas adequadas e urgentes para fazer frente a tudo isso.

 

 

GEEA Foto Cimone Barros INPA 61

 

 

 

A terceira parte da reunião foi dedicada ao debate, com o aporte de ideias altamente criativas e complementares à fala do palestrante, envolvendo aspectos relativos à educação de base, à formação de recursos humanos e aos valores éticos e morais tão carentes no mundo moderno. O resultado foi uma reunião altamente produtiva e edificante, conforme atestou o Secretário-executivo do Grupo e pesquisador do Inpa, Dr. Geraldo Mendes dos Santos.

 

O Geea é um fórum permanente e multidisciplinar, formado por pesquisadores, professores, executivos e outros e que tem como objetivo debater temas relevantes sobre a Amazônia. Criado em 2007, o Grupo é coordenado desde então pelo pesquisador Geraldo Mendes, graduado em História Natural e Filosofia e com doutorado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior.

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