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Conferência no Inpa apresenta boas práticas de inovação no mercado e em instituições

  • Última atualização em Quarta, 19 de Junho de 2019, 18h10
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Organizada pelo Arranjo Amoci, com sede no Inpa, Conferência trouxe programação com especialistas nacionais e internacionais para estimular os processos inovativos na Amazônia

 

Por Cimone Barros - Inpa

Fotos: Cimone Barros, Wérica Lima e Victor Mamede

 

Compartilhar boas práticas de gestão da inovação, de proteção à propriedade intelectual, e da transferência de tecnologia e do empreendedorismo voltadas para a inovação. Este foi o foco da 2ª Conferência Internacional de Processos Inovativos da Amazônia- Interfaces entre ICT, empresários e investidores, que ocorreu no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). O evento foi organizado pelo Arranjo de Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) da Amazônia Ocidental (Arranjo Amoci/MCTIC), composto por 23 instituições da região Norte.

Uma das boas práticas refere-se à Inovação Frugal, que é a busca de soluções originais de baixo custo para problemas da sociedade, além de manter ou até melhorar o desempenho das funcionalidades originais da invenção ou da inovação de referência. No Brasil, um exemplo clássico é o tanquinho de lavar roupa, que chegou ao mercado custando cerca de 20% do valor da máquina de lavar.

De acordo com o professor André Santos, da Univali, que falou sobre o tema na Conferência, o novo produto manteve a função principal de agitar a roupa (“bater”) e tornou-se acessível a uma grande parcela da população com menor poder aquisitivo. Na esteira, o mercado lançou o “sabão de lavar roupas próprio para tanquinho”, no qual é possível reaproveitar várias vezes a mesma água com sabão.

Segundo Santos, no mundo, existem mais de 100 milhões de patentes. “Se for considerado que cada patente é fruto de um processo de inteligência, esforço e conhecimento, teríamos nisso 100 milhões de documentos que sintetizam esse esforço. Então, não temos como pensar em inovação sem pensar em explorar essa grande base de conhecimento”, destacou.

 

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O prazo de validade de uma patente de invenção é de 20 anos. Após este período, a invenção torna-se de domínio público e pode ser explorada de forma gratuita. Além disso, vários fatores podem fazer com que uma patente seja abandonada antes dos 20 anos. Na China, por exemplo, em média, 50% das patentes tornam-se de domínio público em até seis anos.

Como toda a patente exige o pagamento de taxas para manutenção do registro, o custo pode ser um fator limitante para manter a patente ou também registrá-la em outros países. “Se uma patente de outro país não for depositada no Brasil, é possível utilizar esta patente de forma gratuita em território nacional”, explicou Santos.

Atento às oportunidades, um grupo internacional do qual Santos faz parte desenvolveu uma ferramenta gratuita e de acesso livre, que permite explorar o conhecimento existente na base de patentes utilizando BigData. Com a ferramenta é possível, por exemplo, analisar relações entre campos tecnológicos, distribuições geográficas, redes de empresas e inventores, em um grande conjunto de patentes (por exemplo, 50 mil patentes sobre o mesmo tema), como parte do processo de inovação. O Patent2Net (http://patent2netv2.vlab4u.info/) é uma alternativa para os softwares pagos e caros ou aos gratuitos com acesso restrito.

Para operar o Patent2Net é necessário capacidade analítica dos pesquisadores e usuários. “Porém, essa não é a principal barreira. Nossos pesquisadores e empresários são muito ativos, criativos e inteligentes. A principal é a mudança cultural”, disse Santos. “A própria visão tradicional de pensar, inventar e proteger, que é um ciclo, causa a ideia de que patente é um produto no resultado, e não um produto para ser trabalhado como fonte de informação”, completou.

Socialização da Cultura de Inovação

 

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Para a coordenadora do Amoci e de Extensão Tecnológica e Inovação do Inpa, Noelia Falcão, o evento atua numa lacuna da região, que é a disseminação da cultura e da prática da propriedade intelectual, da transferência de tecnologia e do empreendedorismo com foco na inovação. Atualmente o Inpa possui 73 tecnologias protegidas por direito de propriedade intelectual e 17 patentes concedidas.

“As tecnologias desenvolvidas nas ICT só se tornarão inovação, de fato, quando as empresas se interessarem por elas e as colocarem no mercado e essa tecnologia for aceita de fato pela sociedade. Foi isso que aconteceu com o água Box, o nosso purificador de água”, destacou.

Além de Falcão, participaram da mesa de abertura, o representante da Embaixada da Suíça no Brasil, Nils Hedberg Grimlund; a diretora do InpaAntonia Franco; o representante da Prefeitura de Manaus, Pablo Negreiros; a presidente do Fortec Nacional, Shiley Coutinho; e o representante do Inpi, Araken Alves de Lima. A solenidade contou com uma apresentação da Camerata de Ukulelê, resultado de um projeto de iniciação científica Junior, do Inpa, com o reaproveitamento o madeiras caídas da Amazônia.

“O Inpa e o Arranjo Amoci fazem um trabalho extraordinário para alavancar a inovação na Amazônia Ocidental”, ressaltou o coordenador-geral de Gestão de Agências da Subsecretaria de Unidades Vinculadas (SUV/MCTIC), Gustavo Zarif.

 

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Leishmaniose

Mais de 20 palestras foram realizadas durante o evento, que ocorreu nos dias 06 e 07 de junho. Na Mesa-Redonda Propriedade Intelectual em Biotecnologia: Estratégias para inserção de produtos no mercado, a diretora do Inpa, a pesquisadora Antonia Franco, falou sobre os estudos que iniciaram em 2011 de prospecção de novas drogas e fármacos para o tratamento leishmaniose cutânea. A doença negligenciada infecciosa, não contagiosa, provoca úlceras na pele e pode acometer também mucosas, e ocorre no Brasil e em várias partes do mundo.

O tratamento convencional é realizado com o antimonial pentavalente, sendo este administrado por injeção intravenosa ou intramuscular de Glucantime®. Como é extenso e doloroso, o tratamento muitas vezes é abandonado por parte dos pacientes.

No momento, há cinco produtos que envolvem patentes no Brasil e no exterior. São duas patentes depositadas em material inorgânico (uma na Ucrânia e outra no Brasil), e três depósitos de patente. Dessas, duas são inorgânicas (uma na Ucrânia e outra no Brasil), e outro depósito de patente de material orgânico (formulação tópica com produtos naturais) no Brasil, que é uma microemulsão de uso tópico com ótimos resultados nos estudos com roedores.

Até agora são mais de 60 amostras que já foram analisadas visando desenvolver novos produtos e formulações para aplicação tópica e com custo bem abaixo do tradicional. Enquanto o tratamento com Glucantime® custa cerca de 100 dólares por paciente, com a microemulsão com produtos derivados do jucá (tipo um creme) custaria 20 dólares, segundo as estimativas da pesquisadora.

 

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O grupo de Franco solicitou o pedido de patente da formulação contendo os produtos do jucá para medicamentos do tipo fitoterápicos, mas atualmente estão investindo no isolamento de substâncias, porque se conseguirem isolar a substância que tem essa atividade a partir dessa fração com bons resultados terão a possibilidade de ter uma semisíntese ou uma síntese. “Isso seria bom, pois reduziria até a exploração da planta e frutos, e poderíamos fazer isso em nível laboratorial”, contou a pesquisadora.

Também compuseram a Mesa-Redonda falando sobre suas pesquisas e experiências, Camilo Sobrinho (Universidade da Califormia), Alexandre Vasconcelos (INPI) e Luiz Renato de França (Ex-diretor do Inpa e professor aposentado da UMG). A mesa foi mediada por Shirley Coutinho (Presidente do Fortec Nacional).

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