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Pesquisadora do Inpa é uma das ganhadoras do Prêmio Jabuti na categoria Gastronomia

  • Publicado: Terça, 07 de Novembro de 2017, 15h23
  • Última atualização em Segunda, 05 de Fevereiro de 2018, 12h04

A pesquisadora Noemia Kazue Ishikawa colaborou na elaboração do livro “Ana amopö – Cogumelos Yanomami”. A cerimônia de entrega do Jabuti 2017 acontecerá no Auditório do Ibirapuera, em são Paulo, no dia 30 de novembro

 

Por Luciete Pedrosa e Cimone Barros - Ascom INPA

Banner: Ayrton Hugo

 

Obra que alia conhecimento tradicional indígena e científico sobre cogumelos consumidos pelos Yanomami e reforça a contribuição modo de vida indígena para a preservação da floresta amazônica ganhou o da 59ª edição do Prêmio Jabuti, a mais importante premiação da literatura brasileira. O livro “Ana amopö – Cogumelos Yanomami” venceu na categoria Gastronomia.  

 

A publicação foi elaborada por pesquisadores indígenas Yanomami com a colaboração do grupo de pesquisa Cogumelos da Amazônia, liderado pela pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), a doutora Noemia Kazue Ishikawa. O livro foi escrito em sanöma, uma das línguas da família linguística Yanomami, e traduzido para o português.

 

“Receber o prêmio Jabuti por um trabalho realizado a convite dos pesquisadores indígenas Yanomami e antropólogos do Instituto Socioambiental é uma grande honra. Acredito que o livro conquistar o primeiro lugar, na categoria Gastronomia, ajuda a expandir os alcances das pesquisas do Inpa e é uma boa divulgação de nossas pesquisas”, disse Ishikawa.

 

 

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O convite para Ishikawa ajudar na elaboração do livro veio em 2014. A tarefa principal dela era identificar cientificamente os cogumelos consumidos pelos moradores da comunidade Kolulu, no extremo noroeste de Roraima, e descrever a relação do sistema de cultivo de mandioca com a produção de cogumelos nas roças. O doutor Keisuke Tokimoto do Instituto de Micologia de Tottori, com o qual o Inpa tinha um acordo técnico-científico, também fez parte da equipe.

 

Segundo Ishikawa, os resultados levaram à identificação de 15 espécies de cogumelos, das quais sete são relatadas pela primeira vez como fonte de alimento dos Sanöma no livro "Ana amopö: cogumelos Yanomami". Outras oito espécies já haviam sido referidas nos trabalhos dos doutores Ghillean Prance e Oswaldo Fidalgo.

 

Para a identificação dos cogumelos, buscou-se a parceria com o Dr. Nelson Menolli Junior do Instituto de Botânica de São Paulo. As análises de sequenciamento molecular foram custeadas pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Cenbam. “Após a identificação dos cogumelos, o material utilizado foi devolvido aos pesquisadores Yanomami e eles iniciaram uma coleção de exsicatas (amostras prensadas e secas) de fungos na Hutukara Associação Yanomami”, conta Ishikawa.

 

Diálogo

 

O livro “Ana amopö – Cogumelos Yanomami” é resultado do trabalho de pesquisadores indígenas da região do Awaris, no extremo noroeste de Roraima, na Terra Indígena Yanomami, em parceira com o Instituto Socioambiental (ISA), o Inpa, o Instituto de Botânica de São Paulo, o Instituto de Micologia de Tottori, no Japão, e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

Para a pesquisadora do Inpa, a doutora em Antropologia Ana Carla Bruno, os Yanomami, Ishikawa e o ISA conseguiram aliar de forma simétrica conhecimento tradicional indígena e conhecimento científico. “Precisamos fazer mais isso. A sociedade brasileira conhecendo mais esta diversidade pode compreender que os indígenas não atrapalham o desenvolvimento do nosso país, eles são nossos aliados na construção de um mundo mais diverso”, destaca.

 

Segundo Ana Carla Bruno, os Yanomami não têm ideia da magnitude desta premiação, e eles não têm obrigação de ter, vivem suas vidas na floresta, continuam falando sua língua, realizando seus rituais e enfrentando garimpeiros que poluem seus rios. “Mas para nós que trabalhamos, pesquisamos (e somos aliados da causa indígena) com as comunidades, este prêmio significa um passo para o reconhecimento da diversidade cultural, linguística, étnica e gastronômica do nosso país em tempos de tanta intolerância, em todos níveis, e retrocesso”, destaca.

 

Saiba mais

 

De acordo com Noemia Ishikawa, que é natural de Londrina, Paraná, a atuação de pesquisadores do Inpa em etnomicologia (estudo do papel dos cogumelos) dos povos Yanomami é antiga. Os primeiros registros foram realizados na década de 1970 pelo botânico, o doutor Ghillean Prance, criador e primeiro coordenador do Programa de Pós-Graduação em Botânica do Inpa.

 

Em 1994, Ishikawa teve conhecimento do trabalho de Prance por meio do ex-diretor do Inpa, Dr. Warwick Kerr, em um Congresso de Ecologia quando fazia graduação na Universidade Estadual de Londrina. “No momento que o Dr. Kerr viu que eu estudava cogumelos comestíveis, ele me convidou para vir para Amazônia. Passaram-se oito anos até o sonho se concretizar. Em sua segunda gestão como diretor, ele me colocou em contato com o Dr. Victor Py-Daniel e tive a oportunidade de conhecer a primeira comunidade Yanomami”, relembra Ishikawa.

 

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